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Estranhezas na audiência pública sobre Belo Monte

Da advogada Mary Cohen, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA, sobre a postagem OAB discute o contraditório sobre Belo Monte:


A necessidade do debate nos parece tão óbvio, tão lógico, daí a dificuldade de entender a postura dos que, intransigentemente, se negam a fazê-lo e dos que não concordam com o debate honesto, transparente. É o mínimo que esse governo deve fazer em respeito ao povo do Pará.
Sem entrar no mérito acerca do projeto, o que observei em Belém, pois foi a única audiência para o qual a Ordem foi convidada pelos promotores do evento, foi muito preocupante.
O convite feito à Ordem dizia que a audiência seria no auditório Ismael Nery, com capacidade para algo em torno de 700 ou 800 (não tenho o número exato), e quando cheguei, não somente havia mudado o local como encontrei uma barreira de policiais fortemente armados, fazendo a triagem de quem poderia entrar ou não. Estava com um banner da Ordem e fui informada de que não poderia entrar com ele, pois seus suportes poderiam transformar-se em arma e eu fiquei imaginando uma defensora dos direitos humanos distribuindo sopapos e agredindo os promotores do evento com os suportes do banner onde estava escrito OAB/PA.
Pedi para ter acesso ao local e lá verifiquei que a maioria dos lugares já estava ocupado com pessoas portando... faixas e bandeiras com os mesmos suportes do banner da Ordem. A diferença era que todos portavam palavras de ordem de apoio à hidrelétrica!
Pois bem, o local escolhido na última hora comportava um pouco mais da metade de pessoas do local mencionado no convite. E depois dos embates, ao conseguirmos fazer entrar os índios, os trabalhadores sem terra e alguns pesquisadores da UFPA e logicamente o meu banner, o ambiente não era de uma audiência pública.
Na ocasião soube que os estudos antropológicos, incompletos ainda, só foram disponibilizados às vésperas da audiência pública, o que significa dizer que, sem a análise dos estudos feitos não havia como fazer os questionamentos durante as audiências públicas. Ressalte-se que a quantidade de documentos é expressiva para uma leitura em pouco tempo.
Além disso, não foi concedida, aos que queriam fazer seus questionamentos, a oportunidade para tal. Vários pesquisadores disseram-me que a fala deles fora cortada pelos organizadores.
Diante disso tudo, sinceramente, não consigo entender por que essa recusa ao debate, ao esclarecimento. Importante que se façam novas audiências, abrangendo o máximo possível de pessoas envolvidas direta e indiretamente.
É tudo muito estranho, muito nebuloso... infelizmente. Fonte:
Espaço Aberto

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