Pular para o conteúdo principal

Usinas no rio Tapajós


Os estudos iniciais para as usinas hidrelétricas no rio Tapajós indicam a utilização de turbinas bulbo, como as previstas nas hidrelétricas do rio Madeira. Continua

Como a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, alardeou com desconhecimento técnico, diga-se de passagem, que usinas a fio d'água reduziriam os impactos ambientais, parece que resolveram adotar a moda. Precisam explicar para Marina Silva que só muda mesmo é a posição das turbinas, a bulbo fica na horizontal praticamente no leito do rio e é usada para usinas em rios de planície e a Kaplan fica na vertical com a tomada da água mais alta e é usada para usinas em rios de vales.

O resultado é o mesmo quanto aos impactos provocados pelos reservatórios: o de superfície (baixa queda com turbina bulbo) mantém perenes as áreas alagadas sazonalmente e aproveita a velocidade do rio; o de alta queda com turbina Kaplan necessita de concentração maior de volume de água. Claro que essa explicação é simplista, no entanto como a ex-Ministra continua dizendo que os impactos ambientais serão menores com as turbinas bulbo, convém que especialistas venham a público dar as explicações técnicas.

Comentários

  1. “Aceitar a síndrome do ‘fio d’água’ para os aproveitamentos hidrelétricos na Amazônia significa vergar-se ao ambientalismo-indigenismo neocolonial e privar a sociedade brasileira de um bem soberano”.
    comentarios:
    O alagamento produzido por reservatórios tem um efeito semelhante, em princípio, ao da poluição ambiental. “Com freqüência, a discussão pública do problema ambiental caracteriza-se mais pela emoção do que pela razão. Grande parte dela se desenvolve como se o ponto crucial fosse poluição e não poluição, como se fosse desejável e possível ter um mundo impoluto. Evidentemente isto é um absurdo. Ninguem que pense seriamente sobre o assunto considera a poluição zero como estado de coisas desejável e possível” ( Milton Friedman). Assim tambem não é desejável e possível um ambiente intocável. Qualquer reservatório — por diminuto que seja — produz prejuízo ambiental por alagamento. O Brasil pode ter tido a sorte de encontrar condições de relevo que permitiram a construção de reservatório do porte de Furnas, Itumbiara e Serra da Mesa na cabeceira dos rios Grande, Paranaíba e Tocantins, capazes de regularizar a vazão desses rios e garantir suprimento tranqüilo por cerca de 40 anos, o que é uma proeza. Mas essa foi uma estratégia plausível no século passado, quando condições sócio-ambientais nem eram levadas em conta e que só se tornaram possíveis graças a governos autoritários ou nacionalistas. Os habitantes de nosso município — um dos 34 afluentes de Furnas — sentiram na pele os estragos que não foram poucos. Não fora a construção dos reservatórios de regulação, certamente estaríamos patinando no atraso e não teríamos condições de propiciar aos brasileiros as inegáveis condições de vida hoje desfrutadas inclusive pelos “ribeirinhos” desses reservatórios.
    Não se trata de aceitar ou não a síndrome do ‘fio d’água’ para os aproveitamentos hidrelétricos na Amazônia: esta é uma condição imposta pela realidade do relevo. Nem significa vergar-se ao ambientalismo-indigenismo neocolonial — uma sentença carregada de retórica — mas aos princípios elementares da física do século XVIII. A sociedade brasileira estaria privada dos confortos da vida moderna se tivesse mantido intacto o “território soberano”. Percorri as cabeceiras dos Rios Xingu e Tapajós (pelo Google é claro), inclusive o Teles Pires. São Luiz do Tapajós está quase ao nível do mar, encostado no Amazonas. Os potenciais da vizinhança do Teles Pires têm pouca altura e pequena altitude para se tornarem candidatos a constituir estoques de energia que permita qualquer regularização. Pretender regularizar a vazão dos rios amazônicos é um atentado contra os princípios da física. Não resta alternativa senão aceitar as contingências do relevo e subaproveitar os potenciais na forma utilizada nas usinas do Rio Madeira. Pode ser pouco, mas é o que a natureza oferece. Entretanto, a pouca energia produzida por estes potenciais pode ser conjugada com termoelétricas a gás — imprescindíveis na Amazônia, como de resto em todo o sistema atual. Em ano eleitoral, os candidatos precisam mostrar serviço (grandes obras), ainda que na forma de promessas irrealizáveis, porque não há tempo hábil. Esta é a razão do nacionalismo exacerbado No entanto hesitam — num claro pedido de desculpas — pela obrigação que têm se “sujar a matriz energética.” Ainda persistem redutos nacionalistas que contam como possíveis eleitores. Bem, chega por enquanto...
    Hugo Siqueira Av Oscar Ornelas 157 Cabo Verde MG

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Hidrelétrica Jirau, no rio Madeira, o desastre confirmado

UHE Santo Antônio (ainda em construção) e ao fundo a cidade de Porto Velho O "X" vermelho é para encobrir a propaganda mentirosa do consórcio que diz "Desenvolvimento sustentável para Rondônia e para o Brasil" A cidade de Porto Velho, a capital do estado de Rondônia, nunca esteve tão ameaçada pelas cheias do rio Madeira. Ensecadeira (barragens provisórias) e outras estruturas em construção na UHE Jirau poderão se romper se não houver um controle do nível do reservatório da hidrelétrica Santo Antônio. (Atualizado em 04/03/2014) Telma Monteiro Resgatando um pouco da história das usinas do Madeira O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de Rondônia ajuizaram uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido liminar contra a mudança de localização da usina de Jirau, no rio Madeira. Isso aconteceu em 25 de agosto de 2008.  A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováve...

Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais

Volta à Minas colonial  Assista ao vídeo Conceição II sobre como a Mineração Anglo Ferrous Brazil, da Anglo American, trata as comunidades tradicionais de Minas Gerais. Assista ao filme Ouro de Sangue  mostra os descalabros da mineração de ouro a céu aberto em Paracatu, cidade bem próxima do Distrito Federal, formada durante a corrida do ouro da época colonial, no Oeste de Minas.

Rio Tapajós: derradeiro peão no tabuleiro de xadrez da Amazônia

Telma Monteiro No final de 2011, como resolução de ano novo, eu prometi a mim mesma que deixaria o ativismo socioambiental. Que fique claro que esta não seria a primeira vez a me impor tal determinação. Achei, no entanto, que seria a última e que resistiria bravamente às provocações e apelos das notícias que envolvem os desmandos do setor elétrico contra os povos e rios da Amazônia. Contra a vida, enfim. Foi em vão. Mesmo desestimulada pelos rumos tomados pelos enfrentamentos socioambientais, dei-me outra chance ao escrever mais este texto. Talvez eu não tenha completado meu carma ou não tenha esgotado meus argumentos para provar as ilegalidades dos processos de licenciamento de grandes obras. Ou talvez eu ainda acredite que temos chances de reverter este modelo de desenvolvimento ultrapassado e predatório que estão impondo ao Brasil. Sinceramente, não sei. É um comichão danado quando me deparo com fatos e decisões de autoridades ou empresas que subestimam a inteligênci...