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Fundo Amazônia: o fundo do buraco? (2)

Desmatamento - Foto: Greenpeace Telma Monteiro E o dinheiro do Fundo Amazônia que cai no BNDES, para quem vai e para que tipo de projetos? Dando continuidade à questão do uso dos recursos do Fundo Amazônia para reduzir o desmatamento, elejo a Floresta Nacional do Jamanxim o símbolo maior do descumprimento da legislação ambiental e da inutilidade de grande parte dos projetos que receberam rios de dinheiro do fundo, via BNDES. A Amazônia perdeu, entre 2015 e 2016, 7984 km² de floresta, segundo o levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).  Entre os municípios que mais desmataram estão cinco no estado do Pará: Altamira, São Feliz do Xingu, Novo Repartimento, Portel e Novo Progresso. Conforme tabela abaixo nota-se que o Estado do Pará foi um dos estados que mais recursos receberam do Fundo Amazônia. Floresta Nacional do Jamanxim e Terra Indígena Munduruku O município de Novo Progresso é onde está justamente a Floresta Nacional do Jamanxi...

Fundo Amazônia: o buraco sem fundo? – Parte 1

Foto: Abcdoabc As finalidades do BNDES me parecem antagônicas em relação a esse papel de receber e administrar fundos para preservar um bioma que ele mesmo não costuma respeitar. O BNDES é financiador dos grandes projetos estruturantes que têm destruído uma grande parte da biodiversidade amazônica, além de projetos agropecuários que impactam a floresta. T elma Monteiro Temer viajou para a Rússia na semana passada e deu uma passadinha na Noruega para conversar com as autoridades norueguesas sobre a montanha de dinheiro que eles têm despejado no Fundo Amazônia. Como a Noruega, maior doadora do fundo, ameaçou cortar o envio da grana que, em tese, ajudaria a controlar o desmatamento da Amazônia, o governo Temer se preocupou. O governo da Noruega tem razão, o desmatamento aumentou, mesmo com os já R$ 2,75 bilhões que doaram para sua preservação. Não que eu ache a Noruega um poço de bondades. Ela têm que compensar suas emissões e ainda manter sob controle os investimentos em...

O que deu errado na luta por um meio ambiente equilibrado no Brasil?

UHE Belo Monte - Foto: PAC Apesar de o Brasil ser admirado internacionalmente como um país que explora fontes renováveis de energia, considero essa admiração um despropósito. Nossa matriz é calcada em energias fósseis ou  produzida por hidrelétricas , construídas em rios e regiões que jamais recuperaram a biodiversidade perdida, escreve  Telma Monteiro , especialista em análise de processos de licenciamento ambiental, em artigo publicado por  Correio da Cidadania , 17-06-2017. Eis o artigo. Não dá para pensar numa pauta Brasil sobre compromissos ambientais sem antes fazer uma breve retrospectiva de como surgiram as primeiras discussões internacionais sobre meio ambiente. Primavera silenciosa A partir de  1962, Rachel Carson  produziu um estudo chamado  Primavera Silenciosa , onde expôs a contaminação da cadeia alimentar por pesticidas nos EUA.  Carson  criticava o modelo do desenvolvimento econômico que impunha alterações ao ambie...

Um golpe chamado Belo Monte - Parte 3

Obras de Belo Monte em janeiro de 2016 - Imagem do PAC Telma Monteiro O TCU fez uma auditoria no final de 2016 e constatou como a Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Eletrobras deram um golpe para faturar Belo Monte. O TCU identificou, em auditoria, sobrepreço no valor de R$ 3,384 bilhões.  Nesta Parte 3, a auditoria do TCU identificou uma tramoia entre a Norte Energia e o consórcio construtor CCBM, com as empresas projetistas, para "otimizar" os custos com o objetivo de elevá-los.  Como as grandes empreiteiras abocanharam as obras de Belo Monte Em fevereiro de 2011, a Norte Energia assinou contrato de construção das obras civis de Belo Monte. As empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Contern, Cetenco, Serveg-Civilsan e J. Malucelli formaram o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM). Ou seja, todas as construtoras aptas do país para construir uma hidrelétrica do porte de Belo Monte divi...

Um golpe chamado Belo Monte – Parte 2

Imagem: PAC O TCU fez uma auditoria no final de 2016 e constatou como a Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e Eletrobras deram um golpe para faturar Belo Monte. O ministro do TCU, José Mucio Monteiro, define como uma “história trágica” a divulgação dos fatos contidos no relatório de auditoria. Telma Monteiro Uma “história trágica” O objetivo da auditoria do TCU foi o de aferir o quão efetivos seriam os controles da estatal Eletrobras sobre os investimentos e contratos firmados para construir a hidrelétrica Belo Monte. Contratos, diga-se de passagem, financiados pelo BNDES a juros subsidiados. Considera-se que houve um desvio de finalidade da participação da Eletrobras no consórcio de Belo Monte No caso do consórcio vencedor do leilão de Belo Monte, a Eletrobras atuou como empreendedor da Norte Energia e não como acionista, comprova a auditoria. A Eletrobras seria a própria Norte Energia. Sua atividade de fomento, como grupo estatal participante de uma So...