Telma Monteiro No final de 2011, como resolução de ano novo, eu prometi a mim mesma que deixaria o ativismo socioambiental. Que fique claro que esta não seria a primeira vez a me impor tal determinação. Achei, no entanto, que seria a última e que resistiria bravamente às provocações e apelos das notícias que envolvem os desmandos do setor elétrico contra os povos e rios da Amazônia. Contra a vida, enfim. Foi em vão. Mesmo desestimulada pelos rumos tomados pelos enfrentamentos socioambientais, dei-me outra chance ao escrever mais este texto. Talvez eu não tenha completado meu carma ou não tenha esgotado meus argumentos para provar as ilegalidades dos processos de licenciamento de grandes obras. Ou talvez eu ainda acredite que temos chances de reverter este modelo de desenvolvimento ultrapassado e predatório que estão impondo ao Brasil. Sinceramente, não sei. É um comichão danado quando me deparo com fatos e decisões de autoridades ou empresas que subestimam a inteligênci...
TÉRMICAS SUBSTITUINDO HIDROELÉTRICAS
ResponderExcluirO excesso de geração hidroelétrica – constatada pelo ONS – leva ao consumo equivocado de energia elétrica para fins térmicos que já é de mais de 30% da eletricidade produzida no país.
A substituição por gás natural mais eficiente na produção de calor e frio levaria a uma redução significativa do consumo energético específico e, portanto, do custo real da energia útil para as indústrias.
Esta é a grande oportunidade para a geração distribuída através de usinas combinadas de cogeração, que permitem a produção dos dois tipos de energia ao mesmo tempo com elevados rendimentos: térmica (calor de processo) e eletricidade.
O país gera um excesso de energia elétrica justamente numa fase em que é declinante a atividade industrial por razões estruturais. O tipo de energia que o país mais precisa no momento é de energia térmica, petróleo para acionamento dos tratores e máquinas do agronegócio e mineração, especialmente o gás para suprimento de termelétricas de complementação. Razões de sobra para o não adiamento da 11ª rodada exploratória de petróleo em campos terrestres e do pós-sal.
Há excesso de geração hidroelétrica – constatada pelo ONS – para a qual não existe demanda, coincidindo com uma fase em que é declinante a atividade industrial em razão da crise mundial.
Se não houver consumo em razão do atraso na construção de linhas a energia elétrica produzida acabará utilizada localmente na produção de eletro intensivos e siderurgia, de maneira menos eficiente, sem condições de concorrer com a produção de países que utilizam combustível fóssil, inclusive a nossa própria.
GASODUTOS
A rede de gasodutos desempenha o mesmo papel que o sistema interligado no transporte de energia elétrica. São redes paralelas transportando tipos distintos de energia: térmica e eletricidade. Portanto, NÃO deveria ter donos exclusivos. Mas ser utilizado por produtores independentes e usuários distantes, na mesma forma utilizada no sistema elétrico interligado: vendendo em uma ponta e comprando em outra de consumo, pagando apenas o aluguel pelo trânsito ou diferença de custos. Como estão estreitamente relacionados no transporte de energia deveriam ser administrado pelo mesmo consórcio comum, como é o Operador Nacional do Sistema elétrico.
TÉRMICAS SUBSTITUINDO HIDROELÉTRICAS
ResponderExcluirA substituição por gás natural mais eficiente na produção de calor e frio levaria a uma redução significativa do consumo energético específico e, portanto, do custo real da energia útil para as indústrias.
Esta é a grande oportunidade para a geração distribuída através de usinas combinadas de cogeração, que permitem a produção dos dois tipos de energia ao mesmo tempo com elevados rendimentos: térmica (calor de processo) e eletricidade.
O país gera um excesso de energia elétrica justamente numa fase em que é declinante a atividade industrial por razões estruturais. O tipo de energia que o país mais precisa no momento é de energia térmica, petróleo para acionamento dos tratores e máquinas do agronegócio e mineração, especialmente o gás para suprimento de termelétricas de complementação. Razões de sobra para o não adiamento da 11ª rodada exploratória de petróleo em campos terrestres e do pós-sal.
Há excesso de geração hidroelétrica – constatada pelo ONS – para a qual não existe demanda, coincidindo com uma fase em que é declinante a atividade industrial em razão da crise mundial.
Se não houver consumo em razão do atraso na construção de linhas a energia elétrica produzida acabará utilizada localmente na produção de eletro intensivos e siderurgia, de maneira menos eficiente, sem condições de concorrer com a produção de países que utilizam combustível fóssil, inclusive a nossa própria.
GASODUTOS
A rede de gasodutos desempenha o mesmo papel que o sistema interligado no transporte de energia elétrica. São redes paralelas transportando tipos distintos de energia: térmica e eletricidade. Portanto, NÃO deveria ter donos exclusivos. Mas ser utilizado por produtores independentes e usuários distantes, na mesma forma utilizada no sistema elétrico interligado: vendendo em uma ponta e comprando em outra de consumo, pagando apenas o aluguel pelo trânsito ou diferença de custos. Como estão estreitamente relacionados no transporte de energia deveriam ser administrado pelo mesmo consórcio comum, como é o Operador Nacional do Sistema elétrico.
REFLEXOS DO LEILÃO DE A3 E A5
ResponderExcluirAs recém-licitadas usinas da Amazônia serão as maiores responsáveis pelo excesso de energia elétrica gerada até 2015/19.
Se não houver consumo em razão do atraso na construção de linhas a energia elétrica produzida acabará utilizada localmente na produção de eletro intensivos e siderurgia, de maneira menos eficiente, sem condições de concorrer com a produção de países que utilizam combustível fóssil, inclusive a nossa própria.
A portaria 514 publicada hoje altera a portaria nº 498/11, que define as condições do leilão A-5 de 2011. Nas usinas, com autoprodutores, 30% da energia poderá ser destinada para esses agentes, no mínimo 20%, e mercado livre, o restante O porcentual foi elevado pelo governo atendendo a um pleito dos autoprodutores de energia, que são grandes empresas mineradoras, siderúrgicas e empresas de alumínio.
Se tiverem que cumprir as normas de conteúdo nacional a exploração do petróleo e gás vai ficar para o dia de “São nunca”. O adiamento da 11ª rodada para 2012 ocorreu a pedido da própria Petrobras por não se sentir em condições de concorrer com outras empresas – e agora novamente prorrogada para 2013 – uma vez contida no seu plano de investimento pelo ubíquo presidente do conselho e ao mesmo tempo ministro.
Ocorrida antes da crise, a 8ª rodada, com todas as restrições, não foi suficiente para impedir as novas descobertas de gás que permitiram a vitória de 2 empresas verticalizadas no leilão A3 de térmicas a gás (Petrobras e MMX).
O Brasil produz em demasia 1 tipo de energia (hidroelétrica) para a qual não existe demanda, devido ao retraimento da atividade industrial conseqüência do câmbio supervalorizado e do elevado custo da tarifa.
Dado o grande excedente de energia hidroelétrica na Amazônia tende a usar equivocadamente esta energia elétrica localmente para fins de aquecimento, na siderurgia e produção de eletro intensivo, sem a mínima condição de concorrer com países que utilizam carvão fóssil, inclusive a nossa própria. Esta forma de utilização de recursos naturais abundantes é também uma espécie de “doença holandesa”.