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Satélites da Odebrecht

Foto: Rondoniagora
Crônica do dia, por Telma Monteiro

Doente? Rachado? Desfigurado? Combalido? Essas palavras ajudam a definir o Brasil hoje. Temos um Congresso contaminado pela corrupção e aliciado por grandes empresas.

Não estou falando só de grandes empreiteiras não. Lembremos que no rastro dessas empreiteiras vêm empresas fornecedoras de todos os tipos. Empresas satélites que gravitam em torno de grandes empreiteiras. Algumas internacionais, fabricantes de turbinas para hidrelétricas e acessórios, por exemplo.

Seria impossível a Odebrecht superfaturar obras sozinha, sem a cumplicidade de outras empresas. Sobrepreços e superfaturamentos são ferramentas necessárias, em toda a cadeia dos grandes empreendimentos, para alimentar o propinoduto. Tome-se como exemplo o consórcio Norte Energia, responsável pela hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu. Não daria para manipular os custos totais de R$ 16 bilhões e elevar para R$ 30 bilhões ou mais, sem a ajuda do consórcio construtor liderado pela Odebrecht, de fornecedores de mão de obra e de equipamentos.

Não dá para esquecer da Alstom, apenas para mencionar uma empresa, que tem uma história ligada à Odebrecht e às hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira. Ela já está envolvida no escândalo da Lava Jato e é investigada na Suíça. Em 2008, a Alstom “ganhou” o contrato para o fornecimento de equipamentos e das turbinas bulbo para as usinas do Madeira. Essa parceria exitosa avançou junto com as obras das grandes hidrelétricas na Amazônia.

Logo depois, em 2009, a Alstom também “ganhou” o contrato para construir a maior linha de transmissão do mundo com 2.300 quilômetros, que transportaria a energia das usinas do Madeira para o Sudeste. E, em 20011, mais uma vez, a empresa abocanhou novo contrato, para o fornecimento de equipamentos para a hidrelétrica Belo Monte, considerada a terceira maior do mundo. A fiel parceira Odebrecht esteve sempre presente.

Só mencionei, por enquanto, a parceria no setor de construção de hidrelétricas. Tem muito mais. Tem muitos outros satélites. 

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