Pular para o conteúdo principal

Governo abre mão da proteção de floresta para construir as usinas do Tapajós

Imagem: jotaparente.blogspot.com

Telma Monteiro

Ministério de Minas e Energia (MME) e Ministério do Meio Ambiente (MMA) estão preparando uma nova surpresinha para a Amazônia. Uma comissão interministerial formada pelos dois ministérios deverá terminar nos próximos dias um documento recomendando a redelimitação de áreas que são de interesse estratégico do Complexo hidrelétrico do Tapajós, no Pará.

Fonte do ICMBio confirmou que depois de aprovado o documento, ele será transformado em uma Medida Provisória (MP) ou Projeto de Lei (PL) que efetivará a redelimitação. A data prevista para editar a nova lei é junho ou julho, para favorecer o início dos trabalhos da Eletronorte na região, ainda no período da seca.

As áreas que serão desafetadas são aquelas que sofrerão a influência direta das usinas São Luiz, Jatobá no rio Tapajpos e Cachoeira dos Patos no rio Jamanxim.  Cerca de 140.000 hectares de florestas sairão do domínio da União para alimentar o apetite das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

O site Tapajós Livre, em ótimo artigo de hoje (20), explica em detalhes as áreas que serão desafetadas. 

Comentários

  1. Cara Telma
    Pelo jeito, se oficializarem essa desafetação, é mesmo um “inédito ‘auto-roubo” – como informa o site Tapajós Livre: “a União renuncia a um patrimônio natural de valor ainda desconhecido, pois nenhum estudo foi feito ainda para avaliar a perda de biodiversidade derivada do alagamento dessas áreas, em favor de um projeto polêmico, que conta com forte oposição local e que comprovadamente vai trazer miséria, violência e conflitos para a região, já suficientemente punida pelo descaso da administração”.

    É triste, lamentável! Mas, é preciso mobilização! Povo nas ruas!
    Éh, e boas inspirações para tanto, além daqueles que ocorrem agora na Espanha, são os recentes protesto no Chile: o desta sexta/20maio reuniu cerca de 40 mil, contra represas na Patagônia chilena, lá o projeto HidroAysén, prevê a construção de 5 represas. Manifestações contrárias ao projeto acontecem quase diariamente em todo o país desde que em 9 de maio uma comissão de autoridades governamentais aprovou o estudo de impacto ambiental do HidroAysén, que, segundo uma enquete do diário 'La Tercera', é rejeitado por 74% dos chilenos. (Informações, Agência Efe)
    Há um vídeo de parte desta manifestações gravado pelo cartunista Latuff >> http://youtu.be/CNzeQoBN410

    É isso, valeu! Abraço! Gilnei

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Hidrelétrica Jirau, no rio Madeira, o desastre confirmado

UHE Santo Antônio (ainda em construção) e ao fundo a cidade de Porto Velho O "X" vermelho é para encobrir a propaganda mentirosa do consórcio que diz "Desenvolvimento sustentável para Rondônia e para o Brasil" A cidade de Porto Velho, a capital do estado de Rondônia, nunca esteve tão ameaçada pelas cheias do rio Madeira. Ensecadeira (barragens provisórias) e outras estruturas em construção na UHE Jirau poderão se romper se não houver um controle do nível do reservatório da hidrelétrica Santo Antônio. (Atualizado em 04/03/2014) Telma Monteiro Resgatando um pouco da história das usinas do Madeira O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de Rondônia ajuizaram uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido liminar contra a mudança de localização da usina de Jirau, no rio Madeira. Isso aconteceu em 25 de agosto de 2008.  A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováve...

Rio Tapajós: derradeiro peão no tabuleiro de xadrez da Amazônia

Telma Monteiro No final de 2011, como resolução de ano novo, eu prometi a mim mesma que deixaria o ativismo socioambiental. Que fique claro que esta não seria a primeira vez a me impor tal determinação. Achei, no entanto, que seria a última e que resistiria bravamente às provocações e apelos das notícias que envolvem os desmandos do setor elétrico contra os povos e rios da Amazônia. Contra a vida, enfim. Foi em vão. Mesmo desestimulada pelos rumos tomados pelos enfrentamentos socioambientais, dei-me outra chance ao escrever mais este texto. Talvez eu não tenha completado meu carma ou não tenha esgotado meus argumentos para provar as ilegalidades dos processos de licenciamento de grandes obras. Ou talvez eu ainda acredite que temos chances de reverter este modelo de desenvolvimento ultrapassado e predatório que estão impondo ao Brasil. Sinceramente, não sei. É um comichão danado quando me deparo com fatos e decisões de autoridades ou empresas que subestimam a inteligênci...

O golpe da venda de créditos de carbono

O contrato de venda de carbono (REDD) assinado por alguns indígenas da etnia Munduruku com a empresa irlandesa Celestial Green pôs em evidência uma discussão até então marginalizada.  Sobre esse assunto leia  Empresa irlandesa compra direitos sobre créditos de carbono dos índios Munduruku, no Pará   Vídeo da reunião  entre os Munduruku e o diretor da Celestial Green Ventures em  12 de setembro de 2012, na Câmara Municipal de Jacareacanga, Pará. Fonte do vídeo:  Blog Junior Ribeiro Telma Monteiro O golpe da Celestial Green Ciaran Kelly, CEO da Celestial Green é um gênio do ilusionismo. Tem sob sua única responsabilidade e direção mais de 14 empresas, quase todas registradas no mesmo endereço. Segundo artigo intitulado   CelestialGreen Ventures’ contracts are “not valid”, says Brazil’s National IndianFoundation , FUNAI , do dia 15 de março, no Climate Connections , o caso dos Munduruku é parte de um golpe. O texto não só lista...